Doença de Creutzfeldt-Jakob
A doença de Creutzfeldt-Jakob pode ser considerada
uma variante da encefalopatia espongiforme bovina (EEB), também conhecida como
"doença da vaca louca". Ela faz parte das encefalopatias espongiformes
subagudas, que é um grupo de doenças do Sistema Nervoso Central causadas por
vírus, nesse caso conhecidos como "vírus lentos" ou prions.
A doença de Creutzfeldt-Jakob foi descrita pela primeira vez em 1920 e
interessa à psiquiatria na medida em que resulta em Demência. Embora seja uma
forma bastante rara de demência, pelo menos até agora, com uma incidência de 0,5
a 1,5 casos por milhão a cada ano, seu prognóstico é extremamente grave.
A característica essencial de Demência Devido à Doença de Creutzfeldt-Jakob é
a clássica tríade clínica de outras demências; prejuízo da memória, movimentos
involuntários e atividade EEG sugestiva. Existem quatro formas de doença de
Creutzfelt-Jakob: esporádica, iatrogênica, familiar e a nova variante (atípica
ou da ‘vaca louca’).
A forma esporádica da doença, que corresponde a 85% dos casos, parece não ter
variação sazonal e nem fatores de risco associados. A forma familiar é
responsável por 10 a 15% dos casos, que apresenta um padrão de transmissão do
tipo autossômico dominante. Outra forma, a iatrogênica, é igualmente de natureza
transmissível, principalmente em ambientes hospitalares e cirúrgicos,
principalmente em neurocirurgia. Finalmente, até 25% dos portadores podem ter a
apresentação atípica, confirmando-se a doença apenas por biópsia ou autópsia,
com a demonstração de alterações neuropatológicas espongiformes ocasionadas
pelos vírus.
Sintomas
A doença de Creutzfeldt-Jakob pode desenvolver-se em qualquer idade nos adultos,
porém é mais típica entre 50 e 70 anos de idade (80% dos casos). Os sintomas
pré-clínicos (prodrômicos) da doença de Creutzfeldt-Jakob podem incluir fadiga,
ansiedade ou problemas com apetite, sono e de concentração. Após algumas semanas
pode aparecer falta de coordenação motora, afasia, confusão mental, visão
alterada, marcha e outros movimentos anormais, juntamente com uma demência de
rápida progressão. Nos estados finais da doença o paciente acaba ficando imóvel
(acinético). O tempo médio de sobrevida é de 5 meses e 80% dos pacientes falecem
em um ano.
Prognóstico
A doença tipicamente progride com muita rapidez ao longo de alguns meses, embora
em alguns casos possa progredir ao longo de anos, assemelhando-se a outras
demências. Não existem achados distintivos na análise do líqüor, e uma atrofia
inespecífica pode aparecer na neuroimagem.
Na maioria dos indivíduos, o eletroencefalograma no início do quadro este
pode ser normal mas, com a evolução do quadro, em mais de 80% dos pacientes o
traçado é típico e revela descargas agudas periódicas, freqüentemente trifásicas
e sincrônicas em uma taxa de 0,5-2 Hz em algum ponto durante o curso do
transtorno.
Assim como acontece com o eletrencefalograma, a Tomografia Computadorizada e
a Ressonância Magnética podem ser normais, entretanto, com a progressão da
doença esses dois exames mostrarão uma atrofia cerebral generalizada e
hiperdensidade nos gânglios da base.
O diagnóstico laboratorial pode ser com a pesquisa de uma proteína chamada
14-3-3 no líqüor de pacientes com quadro de demência progressiva. Essa proteína
tem sensibilidade de 96% e especificidade de 99% para doença de
Creutzfeldt-Jakob.
O exame anátomo-patológico do tecido cerebral dá o diagnóstico de certeza.
Nesse exame podem ser vistas as alterações espongiformes, compostas de vacúolos
redondos, pequenos, que podem se tornar confluentes, astrocitose e significativa
perda neuronal.
É sempre bom lembrar da doença de Creutzfeldt-Jakob diante de um quadro
demencial claramente progressivo e acompanhado de mioclonias.Segundo Marco
Antonio Lima, os diagnósticos diferenciais importantes são sífilis terciária,
panencefalite esclerosante subaguda, intoxicação por bismuto, lítio ou brometos,
e casos de doença de Alzheimer que apresentam mioclonias.
Doença da Vaca Louca
A “Doença da Vaca Louca”, como é mais conhecida a nova variante da doença de
Creutzfeldt-Jakob, foi descrita uma nova forma de encefalopatia espongiforme no
gado bovino em 1986, na Inglaterra.
Os animais apresentavam sinais de ansiedade e comportamento agressivo,
evoluindo então com ataxia (dificuldades da marcha) e emagrecimento. Depois,
entre duas semanas e seis meses o animal morria.
Entre 1994 e 1997, também na Inglaterra, surgiram 22 casos de uma nova forma
de encefalopatia espongiforme em humanos. Os indivíduos acometidos eram em média
mais jovens do que aqueles com a Doença típica de Creutzfeldt-Jakob (29 anos em
média) e, diferentemente desta, a nova encefalopatia começava com alterações
psiquiátricas e neuro-sensitivas (parestesias e disestesias), evoluindo com
dificuldades para a marcha (ataxia cerebelar) e demência progressiva em todos os
casos. A evolução dessa nova doença até a morte foi, em média, de 14 meses.
As alterações anátomo-patológicas mostravam extensas placas amilóides no
tecido cerebral, semelhantes à um tipo de encefalopatia da Nova Guiné, associada
ao canibalismo. Era a nova forma, atípica, da Doença de Creutzfeldt-Jakob.
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