PÉS EXIGEM ATENÇÃO ESPECIAL, 
PARA NÃO CAUSAR DOR DE CABEÇA

Há quem não resista a um pé. Bonito, cuidado e saudável, essa parte do corpo é um fetiche. Entretanto, o fascínio desaparece diante de uma unha encravada, do chulé ou da frieira: problemas comuns, que atinge 35% dos brasileiros. Normalmente, os pés não recebem a mesma atenção que outras partes do corpo até que um calo ou odores comece a incomodar. É bobagem esconder o problema dentro do sapato. Há tratamentos e intervenções que trazem cura, corrigem os passos e até ajustam a posição anatômica dos dedos.

A recomendação dos especialistas é que a pessoa não tente resolver o incômodo sozinha. "Quanto mais o indivíduo cutuca, pior fica. No caso dos pacientes com hipertensão e diabetes, problemas simples podem complicar", afirma Cláudia Garcia Rodrigues, podóloga (profissional que cuida dos pés) graduada pelo Instituto Ortopédico Rizzoli da Universidade de Bolonha, na Itália, e diretora do Centro Integrado de Podologia.

Das pessoas que procuram um especialista, cerca de 60% são vítimas dos calos; problema ocasionado pela distribuição inadequada do peso do corpo sobre os pés. Sapato, saltos e palmilhas também podem ser grandes vilões. Unhas encravadas e o chulé são muito comuns. Os calos são tratados, sem dor, com esfoliantes químicos manipulados e lixa mecânica. A unha encravada pode ser causada pelo corte inadequado e até pela posição natural dos dedos. Hoje, há dispositivos metálicos, semelhantes a um aparelho ortodôntico. Usado durante 120 dias, eles corrigem a posição das unhas", explica Cláudia.

Se o aparelho não resolve, é feita uma cantoplastia para que a encrava sela retirada e, no local, o podólogo aplica uma substância que impede o novo crescimento de parte da unha. Não basta ter cuidados com os pés. A escolha e a higiene dos sapatos são fundamentais para impedir problemas futuros. Se a pessoa caminha de forma inadequada, o especialista pode recomendar o uso de órteses de silicone, que ajudam a corrigir os passos. As dicas para quem deseja prevenir as doenças dos pés são higiene, pouca umidade e calor, além de cuidados diários.

Os problemas nos pés, conforme o diagnóstico, podem ser tratados por técnicos da podologia (antes do reconhecimento da atividade, eram conhecidas como pedicuros e calistas), podiatras (especialista em pequenas intervenções nos dedos) e médico ortopedista podiatra (especialista no tratamento de doença do pé e aptos a realizar grandes cirurgias). Nos casos de reabilitação e pós-traumas, os fisioterapeutas são indicados.

PROBLEMAS MAIS COMUNS

CALOSIDADE
Os calos são formados quando o peso do corpo é distribuído em regiões dos pés que não são apropriadas para suportá-los. Por atrito, a pele da área atingida descama, formando o calo, que tem função de defesa. Com o passar do tempo, a calosidade vai ficando espessa e pode originar um ferimento. Os locais mais apropriados para o aparecimento dos calos são as regiões das plantas dos pés próximas aos dedos, o calcanhar e a lateral do dedão ou do dedinho.

UNHA ENCRAVADA
Pode ser provocada por diversos fatores, como o corte  inadequado, o formato natural da unha e até a posição anatômica do dedo. Quanto mais a pessoa cutuca o canto da unha, mais dolorido fica. No local, pode crescer uma carne esponjosa, chamada de granuloma.

MICOSE
Surge entre os dedos, na planta do pé e nas unhas. A doença é causada por fungos, que aproveitam a umidade e o calor para atuar. Excesso de transpiração e o uso de meias de nylon favorecem o aparecimento do problema.

DOR PLANTAR
As dores na planta do pé podem ser causadas pelo uso de sapatos inadequados ou distribuição errada do peso do corpo sobre os pés. No local, podem ocorrer inflamações, tendinites e faceites (um tipo de tendinite). O tratamento é feito por fisioterapeutas e ortopedistas.

VERRUGA PLANTAR
São plantas diferentes das berrugas que aparecem em outras regiões do corpo e não muito bem delimitadas. Se a pessoa lixa a verruga de um lado, ela surge do outro. O tratamento é químico.

CHULÉ
Caracteriza-se pelo odor, que costuma aparecer em pés com excesso de transpiração. Higiene inadequada e tipo de meia podem favorecer a ocorrência.

CRAVOS
A formação dos cravos ocorre quando há obstrução em glândulas sebáceas, gerando um problema na pele. Dentro dos cravos, que costumam ficar duros, existe uma secreção. Quando há incômodo, a cirurgia é aconselhada. No entanto, o cravo pode aparecer novamente. Uma das alternativas para amenizar o problema é o tratamento químico.

PÉS DE RISCO
São os pés de pacientes com doenças crônicas-degenerativas, como artrite reumatóide, diabetes, neuropatias, hanseníase, hipertensão e problemas circulatórios. Nesses pacientes, problemas simples podem ter complicações, levando à perda do membro ou à imobilidade.

EXAMES
Inúmeros exames podem ser feitos para identificar problemas nos pés, como a avaliação biomecânica, o fotograma (com um papel carbono, tinta ou batom o profissional verifica a prensão plantar) e a baropodometria (verificação de como o paciente caminha). Também já existem exames para o diagnóstico por imagens. No entanto, muitos ainda não estão disponíveis no país.

TRATAMENTOS
Os pacientes dispõem de diversos tratamentos, à base de medicamentos alopáticos e fisioterápicos. Também há lixas mecânicas, palmilha, esmaltes, sabonetes e spray anti-sépticos, borrifadores, oncoórteses (dispositivo metálico para corrigir a posição de dedos e unha) e órteses de silicone (para reequilibrar a marcha).

PISE LEVE
O sapato alto facilita o aparecimento de calos, mas pode ser usado. O ideal é massagear e alongar os pés, assim que tirar o sapato. O salto alto confortável corresponde a 1/7 do tamanho do pé. Quem calça 35, por exemplo, sente-se bem com um salto de 5 cm de altura. A escolha do sapato deve observar tamanho, largura e altura do pé.

Prefira as meias de algodão. Quem transpira muito, deve usar spray anti-séptico entre os dedos, todos os dias. Atualmente, há meias específicas para absorver a transpiração.

É importante higienizar os sapatos todos os dias: molhe um pano com álcool a 70% e passe dentro do calçado. Depois, coloque o par em um ambiente arejado e, se possível, ao sol para eliminar os fungos.

Durante o banho, lave o pé, inclusive usando sabão entre os dedos. Nas unhas, esfregue o sabão com escova de dente e enxágüe. O uso de esfoliante também é indicado. Após o banho, enxugue bem os pés e os dedos. Hidrate com um creme a base de uréia que ajuda a prevenir "rachaduras" na pele.

As unhas devem ser mantidas curtas e com corte reto. Os cantos não devem ser cortados. Apenas o excesso de cutícula pode ser retirado.

As palmilhas comuns dão conforto e preenchem os sapatos. As corretivas precisam ser feitas sob medidas, após avaliação biomecânica.

Admilson Resende
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