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1.
O que é Síndrome
de Rett?
A Síndrome de Rett (SR) é uma desordem neurológica de causa genética
recentemente descoberta, envolvendo a mutações, geralmente esporádicas,
do gene conhecido como MecP2. Com incidência de um caso para cada
10.000 a 15.000 meninas nascidas vivas, a SR, a priori, afeta apenas
crianças do sexo feminino que, com nascimento e desenvolvimento
aparentemente normais até os seis a 18 meses, começam a partir de então,
a demonstrar os sinais clínicos da condição, que evolui em quatro estágios
progressivos, mas não degenerativos.
2.
Quais são
os sinais clínicos?
Os sinais clínicos são: estagnação do desenvolvimento, desaceleração
do crescimento do perímetro cardíaco e do ganho ponderal, hipotomia,
regressão de aquisições (fala ou marcha, por exemplo) já adquiridas,
alterações comportamentais (choro intenso aparentemente desmotivado e
crise de irritabilidades longas, auto agressão), desvios no contato
social e na comunicação, isolamento (características ditas autísticas),
perda gradual do uso prático das mãos e da linguagem, aparecimento de
movimentos manuais estereotipados (sinal muito característico da SR),
aparecimento de crises convulsivas (em 50% - 70% dos casos), alterações
respiratórias importantes (apnéia, hiperventilação, perda de fôlego,
aerofagia), alterações de sono (insônia), bruxismo intenso, constipação
intestinal.
3.
Se a criança
(do sexo feminino) passar de 18 meses, o que acontece com ela?
A partir do dez anos de idade, aproximadamente, embora os sintomas clínicos
acima descritos tendam a melhorar, há lenta deterioração motora
progressiva, resultando em escoliose grave, em distúrbios disfróticos
e vasomotores e em atrofia muscular. Muitas das que ainda andam, podem
perder a marcha nesta etapa da vida.
Em
termos cognitivos, permanecem, ao que se sabe (mas será que se sabe?!),
em estágio correspondente ao desenvolvimento intelectual dos 12 aos 24
meses. A linguagem está sempre ausente.
4.
Esta doença
tem cura?
A SR é condição cuja cura ainda está fora do alcance dos cientistas
de todo o mundo, apesar de inúmeras pesquisas que vêm sendo realizadas
para o melhor entendimento da patologia. Recomenda-se, assim, intenso
processo terapêutico, em bases diárias, envolvendo, especialmente
Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Musicoterapia e
Estimulação Pedagógica. Acompanhamentos periódicos por Médico
Neurologista, Ortopedista, Pneumologista e, a partir da adolescência,
Ginecologista são imprescindíveis. Todo arsenal terapêutico disponível
servirá para prorrogar ao máximo as perdas e o aparecimento do estágio
seguinte da doença, estimular as possibilidades cognitivas e,
evidentemente, para melhorar a qualidade de vida da portadora de SR e de
sua família.
Trata-se,
portanto, de condição que resulta em múltiplas deficiências e,
portanto, na total dependência da pessoa por ela acometida, que deverá
estar sob cuidado de familiares e/ou responsáveis vinte e quatro horas
por dia.
5.
Quais são
suas causas?
Segundo a Organização Mundial da Saúde, 10 % da população humana são
portadores de deficiências. Uma parte importante deste número deve-se
a acidentes que ocorrem na infância, na adolescência e na vida adulta.
Algumas
vezes, por causa de imprudências durante a gestação, como consumo de
álcool e drogas... Outras vezes, por causa de uma mau atendimento à
gestante e ao parto... Poucas vezes por causa da herança familiar e
casamentos consangüíneos... Mas, na maioria absoluta dos casos, por
simples capricho da natureza... por mero caso... uma família pode
receber em seu seio uma criança, desde o nascimento, portadora de algum
tipo de deficiência: física, mental, sensorial ou múltipla.
6.
Há
preconceito na sociedade?
Sim. Estas crianças, e principalmente suas famílias, precisam ser
normalmente acolhidas pela comunidade.
Embora
vivamos na era do “belo, perfeito e bem sucedido”, esta é uma ilusão
na qual, pata nosso próprio bem, devemos nos livrar. A vida, os seus
valores e os seus fins estão muito além desta ilusão! A beleza, em
geral, é produzida por modismos... A perfeição, todos sabem que não
existe... E o sucesso, não há dúvidas, é muito relativo!
Não
ser belo, nem perfeito, nem bem sucedido não constitui um motivo
suficiente para preconceitos... muito menos para piedade!
A
consciência de que todos os seres humanos são em essência
diferentes.. e o real amor ao próximo são elementos chave para a
constituição de uma comunidade de fato evoluída... aquela
comunidade com a qual todos nós sonhamos: um lugar onde hesita a
paz, harmonia, respeito mútuo... em que cada um exerça o seu papel com
dignidade.
Pessoas
que, por algum motivo, apresentam algum tipo de deficiência, também têm
o seu papel é obrigação natural de cada um de nós. O primeiro passo,
é acreditar em suas competências... ainda que obscuras aos nossos
ignorantes olhos! O segundo, respeitar as limitações! O terceiro,
acolhê-las com naturalidade!
Há
algum órgão ou sociedade no Brasil da Síndrome de Rett?
Sim. Esta situa-se na Rua França Pinto, 1031/33, São Paulo – SP,
CEP: 04160-034 e o seu telefone é (11) 5083-0292 – CNPJ:
67.182.618/0001-90. Sua denominação é ABRE-TE e tem 10 anos de fundação.
Aceita-se donativos, ajuda em equipamentos de consumo (Ortopedia e
Fisioterapia) e médicos, principalmente na área de Neurologia,
Psicologia, Fonoaudiologia, Musicoterapia, Odontologia, Nutrição,
Pneumologia e estimulação Sensorial.
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