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DEZ DICAS PARA SE PROTEGER
DO CÂNCER
HÁBITOS ALIMENTARES
A relação entre o
consumo de certos alimentos e o risco de câncer possui evidência
científica apesar da complexidade dos fatores que estão associados à
ingestão dos alimentos, como conservação e preparo do alimento, tipo e
quantidade de alimento consumido.
Muitos componentes da
dieta alimentar têm sido associados com o processo de desenvolvimento do
câncer, principalmente câncer de mama, cólon (intestino grosso) reto,
próstata, esôfago e estômago.
DIETA ALIMENTAR DE
RISCO
Alguns
tipos de alimentos, se consumidos regularmente durante longos períodos
de tempo, parecem fornecer o tipo de ambiente que uma célula cancerosa
necessita para crescer, se multiplicar e se disseminar. Esses alimentos
devem ser evitados ou ingeridos com moderação. Neste grupo estão
incluídos os alimentos ricos em gorduras, tais como carnes vermelhas,
frituras, molhos com maionese, leite integral e derivados, bacon,
presunto, salsichas etc.
Existem também os
alimentos que contêm níveis significativos de agentes cancerígenos. Por
exemplo, os nitritos usados para conservar alguns tipos de alimentos,
como picles, salsichas e alguns tipos de enlatados, se transformam em
nitrosaminas no estômago. As nitrosaminas, que têm ação carcinogênica
potente, são responsáveis pelos altos índices de câncer de estômago
observados em populações que consomem alimentos com estas
características de forma abundante e freqüente.
Já os defumados e
churrascos são impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do
carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro e que tem ação
carcinogênica conhecida.
Os alimentos preservados
em sal, como carne-de-sol, charque e peixes salgados, também estão
relacionados ao desenvolvimento de câncer de estômago em regiões onde é
comum o consumo desses alimentos.
O tipo de preparo do
alimento também influencia no risco de câncer. Ao fritar ou preparar
carnes na brasa a temperaturas muito elevadas, podem ser criados
compostos que aumentam o risco de câncer de estômago e coloretal. Por
isso, métodos de cozimento que usam baixas temperaturas são escolhas
mais saudáveis, como vapor, fervura, pochê, ensopado, guisado, cozido ou
assado.
Estudos
demonstram que uma alimentação pobre em fibras, com altos teores de
gorduras e altos níveis calóricos (hambúrguer, batata frita, bacon
etc.), está relacionada a um maior risco para o desenvolvimento de
câncer de cólon e de reto, possivelmente porque, sem a ingestão de
fibras, o rítmo intestinal desacelera, favorecendo uma exposição mais
demorada da mucosa aos agentes cancerígenos encontrados no conteúdo
intestinal. Em relação a cânceres de mama e próstata, a ingestão de
gordura pode alterar os níveis de hormônio no sangue, aumentando o risco
da doença.
Há vários estudos
epidemiológicos que sugerem a associação de dieta rica em gordura,
principalmente a saturada, com um maior risco de se desenvolver esses
tipos de câncer em regiões desenvolvidas, principalmente em países do
Ocidente, onde o consumo de alimentos ricos em gordura é alto. Já os
cânceres de estômago e de esôfago ocorrem mais freqüentemente em alguns
países do Oriente e em regiões pobres onde não há meios adequados de
conservação dos alimentos (geladeira), o que torna comum o uso de
picles, defumados e alimentos preservados em sal.
Atenção especial deve
ser dada aos grãos e cereais. Se armazenados em locais inadequados e
úmidos, esses alimentos podem ser contaminados pelo fungo Aspergillus
flavus, o qual produz a aflatoxina, substância cancerígena. Essa toxina,
juntamente com o vírus da hepatite B, está relacionada ao
desenvolvimento de câncer de fígado.
É preciso salientar
ainda que as associações entre dieta alimentar inadequada e o câncer são
resultantes de estudos de laboratório ou de estudos de correlação entre
populações com diferentes padrões de consumo. Os estudos epidemiológicos
do tipo caso-controle têm apresentado resultados muitas vezes
controversos, o que se atribui a dificuldades metodológicas, como a
mensuração do consumo de alimentos. Apesar da controvérsia, é
recomendável a orientação para a adoção de hábitos dietéticos cujos
benefícios para o controle de outras doenças, já foram comprovados, como
os exemplos da dieta rica em fibras, para o combate à prisão-de-ventre,
e da dieta com ingestão baixa de gordura e sal, para o controle de
doenças cárdio-vasculares.
COMO PREVENIR-SE
Algumas mudanças nos
nossos hábitos alimentares podem nos ajudar a reduzir os riscos de
desenvolvermos câncer. A adoção de simples regras para uma alimentação
saudável contribui não só para a prevenção do câncer, mas também de
doenças cardíacas, obesidade e outras enfermidades crônicas como
diabetes.
Frutas,
verduras, legumes e cereais integrais contêm nutrientes, tais como
vitaminas, fibras e outros compostos, que auxiliam as defesas naturais
do corpo a destruírem os carcinógenos antes que eles causem sérios danos
às células. Esses tipos de alimentos também podem bloquear ou reverter
os estágios iniciais do processo de carcinogênese e, portanto, devem ser
consumidos com freqüência e em grande quantidade.
Hoje já está
estabelecido que uma alimentação rica nesses alimentos ajuda a diminuir
o risco de câncer de pulmão, cólon, reto, estômago, boca, faringe e
esôfago. Provavelmente, reduzem também o risco de câncer de mama,
bexiga, laringe e pâncreas, e possivelmente o de ovário, endométrio,
cérvix, tireóide, fígado, próstata e rim.
As fibras, apesar de não
serem digeridas pelo organismo, ajudam a reduzir a formação de
substâncias cancerígenas no intestino grosso e a diminuir a absorção de
gorduras.
Alimentos
como verduras, frutas, legumes e cereais são ricos em vitaminas C, A, E
e fibras. Especial ênfase deve ser dada à ingestão de cebola, de
brócolis, repolho e couve-flor, de legumes vermelhos ou amarelos
(cenoura, abóbora, batata-baroa, batata-doce etc.) e das folhas em
geral, principalmente os vegetais folhosos verde escuro. Frutas cítricas
como a laranja, o caju, a acerola, e muitas outras, como o mamão, devem
ter seu consumo estimulado.
Evidências
epidemiológicas têm demonstrado que existe uma relação entre o consumo
de frutas frescas e vegetais e a menor incidência de cânceres
originários em epitélios de revestimento (de cavidade bucal, de esôfago,
de estômago e de pulmão). Tem se evidenciado que a vitamina A protege
contra o câncer da cavidade bucal, faringe, laringe e pulmão, e é
possível que a vitamina E diminua o risco de se desenvolver o câncer.
Embora a vitamina C bloqueie a formação endógena de compostos N-nitrosos,
no trato gastrointestinal, não há evidências de que a ingestão maior
dessa vitamina possa prevenir o câncer intestinal.
A tendência cada vez
maior da ingestão de vitaminas em comprimidos não substitui uma boa
alimentação e só deve ser feita com orientação médica.
Vale a pena frisar que a
dieta alimentar saudável somente funcionará como fator protetor, quando
adotada constantemente, no decorrer da vida. Neste aspecto devem ser
valorizados e incentivados antigos hábitos alimentares do brasileiro,
como o uso do feijão e do milho.
COM SE ALIMENTA O
BRASILEIRO
No Brasil, observa-se
que os tipos de câncer que se relacionam aos hábitos alimentares estão
entre as seis primeiras causas de mortalidade por câncer. O perfil de
consumo de alimentos que contêm fatores de proteção está abaixo do
recomendado em diversas regiões do país. A ingestão de fibras também é
baixa no Brasil, onde se observa coincidentemente, uma significativa
freqüência de câncer de cólon e reto. O consumo de gorduras é elevado
nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde ocorrem as maiores
incidências de câncer de mama no país. O câncer de estômago ocupa o
primeiro lugar em mortalidade entre homens no Brasil, sendo São Paulo,
Fortaleza e Belém as cidades onde este tipo de câncer atinge os mais
altos níveis de freqüência do mundo.
Entre
os jovens é comum a preferência por alimentos como hambúrguer, cachorro-
quente, batata frita que incluem a maioria dos fatores de risco
alimentares acima relacionados e que praticamente não apresentam nenhum
fator protetor. Essa tendência se observa não só nos hábitos alimentares
das classes sociais mais abastadas, mas também nas menos favorecidas.
Igualmente nesse grupo, o consumo de alimentos ricos em fatores de
proteção, tais como frutas, verduras, legumes e cereais, é baixo.
(Fonte: Instituto
Nacional do Câncer)
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