HOME CARE
Home Care

 O Home Care constitui um retorno às raízes humanistas no cuidar da saúde. No passado, os doentes eram cuidados em suas residências, portanto trata-se de um “Novo Modelo Antigo”, com o suporte de uma tecnologia moderna para os cuidados e com resolutividade devido à rapidez de comunicação entre os profissionais da linha de frente, que são os técnicos, auxiliares de enfermagem, enfermeiros e a equipe médica. 

(Luiza Watanabe Dal Ben)

 Segundo Alexandre Kalache (OMS), em 2025 o Brasil será o 6º país (ranking mundial) com maior número de idosos (uma população de 31,8 milhões acima de 60 anos). Estará perdendo apenas para China, Índia, Rússia, EUA e Japão. Essa é uma das razões que explicam o avanço do Home Care, que pode ser definido como a provisão de cuidados à saúde para pacientes em sua casa ou em qualquer outro lugar não institucional. Outros fatores que impulsionam a escalada do Home Care são: avanço do tratamento de várias patologias e da tecnologia científica acarretando elevação dos custos da assistência hospitalar; aumento da incidência de doenças crônicas-degenerativas e mentais como fator determinante da necessidade de assistência contínua; riscos de infecção cruzada; alta competitividade no mercado mundial; alta hospitalar precoce com períodos curtos de internação hospitalar.

Nessa modalidade de assistência, o paciente é tratado na dimensão do “todo”, considerado aspectos físicos, emocionais, culturais e sua percepção diante da enfermidade, com o objetivo primordial de reabilita-lo física e emocionalmente, bem como minimizar seu sofrimento.

São três as modalidades de atendimento no domicílio. A primeira delas é a internação domiciliária, referente a um modelo de assistência baseado no suporte de cuidados a um paciente transferido do serviço de internação hospitalar para casa. Nesta modalidade de assistência, exige-se acompanhamento contínuo, ou seja, diário e, às vezes, ininterrupto, de 24, 12, 8 ou 6 horas de assistência de enfermagem. É fundamental o suporte contínuo com uma central de atendimento para solução de emergências, durante as 24 horas, com médico e enfermeiro disponíveis para orientar e atender as necessidades do paciente (Exemplo: paciente dependentes de ventilação mecânica, terapia por via endovenosa e dependência total de cuidados de enfermagem).  

Health care worker assisting patient.

A segunda modalidade assiste pacientes não totalmente dependentes, que constituem a grande maioria. Estes necessitam de procedimentos de relativa complexidade, contando com até 3 horas de assistência oferecida aos pacientes em sua residência por uma equipe multi-profissional. Geralmente, é dirigida a pacientes impossibilitados de comparecer aos serviços médicos para tratamento, porque estão acamados e dependentes de oxigenioterapia, entre outras patologias. Muitos deles necessitam apenas de cuidados específicos como curativos diários, medicação por via intramuscular ou endovenosa. Para esses atendimentos a freqüência das visitas domiciliares é determinada pela equipe multiprofissional.

A terceira modalidade, ainda incipiente no Brasil, é o monitoramento dos pacientes portadores de doenças crônicas, como diabetes mellitus, hipertensão arterial, entre outras, através da realização da educação para a saúde, além do controle e orientação. Assim, evitam-se reinternações hospitalares ou agravamentos do estado de saúde, além de proporcionar segurança e conforto ao paciente e seus familiares.

A assistência ao paciente como extensão hospitalar, com a atuação de uma equipe multiprofissional constituída por médico, fisioterapeuta, assistente social, terapeuta ocupacional, psicólogo, psiquiatra, dentista, engenheiro clínico, arquiteto, nutricionista, enfermeiro e sua equipe, juntamente com os equipamentos hospitalares de alta tecnologia, tem alcançado excelentes resultados, comprovados pelo NADIICHC-FMUSP (Núcleo de Assistência Domiciliar Interdisciplinar do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) que atende 120 pacientes por mês e, desde 1968, pelo HSPE (Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo), que hoje atende 900 pacientes por mês.

Os pacientes, geralmente, são portadores de doenças crônicas, degenerativas ou são casos de pós-operatório. Pacientes sem possibilidade de terapêutica de cura vêem na assistência domiciliar a possibilidade de poderem passar  seus últimos momentos junto à família recebendo afeto, além dos cuidados.

Todos os profissionais são imprescindíveis no atendimento domiciliar, mas é ao enfermeiro e à equipe de enfermagem que cabem a responsabilidade de assistência de 24 horas, verificando as reações do paciente, sua evolução e crença no tratamento aplicado, bem como seu desejo de recuperação.

O Home Care reduz a exposição aos riscos de infecção hospitalar, diminui custos e incentiva a rotatividade de leitos nos hospitais, especialmente casos de doenças crônicas-degenerativas ou pós-operatória prolongando. Além disso, na maioria das vezes a disponibilidade de leitos nos hospitais é pequena. O Home Care também oferece a possibilidade de um tratamento com tecnologia adequada, profissionais altamente capacitados e devolve aos pacientes o “lúdico” convívio familiar.

Atualmente, a maioria dos convênios de saúde cobre o Home Care, pois representa para os mesmos um cuidado individualizado e menor stress quando comparado à situação de internação em ambiente hospitalar. Os menores custos dos serviços são resultado da não necessidade de investimentos vultosos com instalações, equipamentos e com a área física edificada.

Sem dúvida, o cuidado individualizado representa a essência da assistência no domicilio e, para tanto, a harmonia da equipe multiprofissional é fundamental para oferecer e superar a expectativas do paciente e de seus familiares. Como afirma Eliete e sua mãe, Dona Eutália: “Já faz 11 meses que eu e minha mãe vivemos a situação de ver o homem de nossas vidas em uma cama. Você dorme e acorda dia após dia e o seu marido ou o seu pai continua lá, imóvel. O jeito é acostumar com a situação e viver  da melhor maneira possível ... A equipe de profissionais de Home Care abriu-nos as portas para uma nova realidade, que nos fez perceber, depois de 10 meses, que ainda somos esposa e filha e não duas auxiliares de enfermagem que cuidam de um doente”.  

De fato, a qualidade de vida varia para cad pessoa de acordo com a sua percepção. Diante disso, os profissionais de Home Care necessitam identificar a traduzir todos os valores e suas manifestações, conseguindo desta forma desenvolver uma interação harmoniosa e eficaz para o tratamento.

Essa satisfação do paciente e de seus familiares está diretamente relacionada à adequação do tempo de permanência do profissional de enfermagem na residência do paciente, constituindo-se, pois, em fator importante para lhe garantir uma assistência com qualidade.

No Brasil, a assistência de enfermagem residencial tem sido prestada por técnicos e auxiliares de enfermagem com supervisão do enfermeiro garante a avaliação e determinação de intervenções de enfermagem, atendendo, também, ao aspecto legal do exercício profissional.

A atuação do enfermeiro no planejamento da alta hospitalar, inicialmente, constitui-se na verificação das condições gerais do paciente e seus familiares: estabilidade clínica do paciente; existência de condições residenciais favoráveis; disponibilidade de um cuidado familiar, ou não; aceitação, pelo paciente e sua família, da transferência do acompanhamento feito no hospital para a sua residência. Atendidos esses pré-requisitos, o planejamento da alta hospitalar começa com a realização de uma avaliação do paciente pelo enfermeiro. Dessa avaliação emerge o processo de gerenciamento, a adequação da casa do paciente, o perfil do profissional a ser designado para a prestação dos serviços e o número de horas diárias de sua permanência na casa. A previsão e provisão de equipamentos, medicamentos e materiais e a adaptação de casa são estabelecidos antes da alta hospitalar. 

 

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