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Os estiletes
guias semi-rígidos foram desenvolvidos com a finalidade de
auxiliar a intubação sob laringoscopia direta, ao
direcionarem o TT para a traquéia.
O uso do guia
introdutor é particularmente útil, ao superar três situações
comumente encontradas durante intubações traqueais difíceis:
visualização incompleta da glote (a ponta mais fina e
angulada para cima do introdutor é mais fácil de ser
direcionada para a laringe, mesmo às cegas);
o maior tamanho relativo do TT pode dificultar a visão da
fenda glótica (o guia introdutor, por ser bem mais estreito
que este TT, tem sua passagem em direção à glote melhor
visualizada);
dentes protrusos, forçando o TT a seguir um caminho mais
tortuoso da boca até a abertura glótica (um guia introdutor,
por ser mais fino, vence este trajeto com maior facilidade).
Conhecidos desde a década de 40 como “gum elastic
bougies”, atualmente estes guias são conhecidos como:
guias introdutores de “Macintosh-Venn-Eschmann”, em
homenagem a seus idealizadores.
São fabricados em plástico (preferencialmente Teflon®), com
comprimento de 35 a 65cm, diâmetro externo variando de 2,8 a
5mm e com sua extremidade distal angulada em aproximadamente
30 a 40°, assumindo formato de “J” (taco de hóquei).
Guia
“Macintosh-Venn-Eschmann”
Estes artefatos, apesar de sua simplicidade, estão entre os
instrumentos mais importantes no auxílio da intubação
traqueal, principalmente em casos de laringoscopia com
classificação Cormack - Lehane grau II (onde somente a parte
posterior da glote (aritenóides) é visualizada),
grau III
(somente a epiglote pode ser visualizada – nenhuma outra
porção da glote é visível), e até mesmo em situações de grau
IV.
Existem diversos modelos comerciais, alguns além de servirem
como guia para IT, permitem
oferta de
O2 através de sua luz durante as manobras de
laringoscopia.
Técnica
1)
Laringoscopia com classificação Cormack - Lehane grau II ou
III.
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2)
Avançar apenas o guia (sem o TT) com sua extremidade
angulada voltada anteriormente.
3)
Visualizar a ponta curva do guia passando posteriormente à
epiglote; caso contrário, direcioná-la “às cegas” “para
cima”, na tentativa de que se encaminhe para a abertura
glótica, mantendo a linha média.
4)
Ao ultrapassar a abertura glótica e deslizar através da
laringe até a traquéia, em 90% das vezes é possível se
perceber “cliques” quando a ponta do guia toca e “salta” os
anéis traqueais.
Neste caso, o
guia deverá ser cuidadosamente introduzido por mais 15-20cm.
Caso o guia
tenha penetrado no esôfago, não haverá os "cliques", uma vez
que suas paredes são lisas.
5)
Fixar o guia nesta posição mantendo a laringoscopia.
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6)
Introduzir o TT pela extremidade proximal do guia,
deslizando-o
até que a extremidade proximal do guia introdutor seja
novamente exposta.
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7)
Manter o guia firmemente em posição, e cuidadosamente o
deslizar do TT para laringe. |
8)
Quando o TT estiver corretamente posicionado, retirar o
guia.
9)
Insuflar o balonete e confirmar a intubação.
Complicações:
Apesar de raras, foram publicadas algumas complicações com o
uso do guia introdutor.
1) após
uma reintubação difícil com várias tentativas em
pós-operátório imediato de glossectomia (com hematoma e
sangramento), ocorreu perfuração na parede lateral da
faringe;
2) outra
seqüela atípica relatada, foi a ocorrência de sangramento
por trauma à traquéia, com atelectasia do pulmão direito
pela presença de coágulos no brônquio direito.
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Existem vários tipos de guias
introdutores no comércio, entretanto, podemos construir um
de boa qualidade
e com materiais de baixo custo, seguindo as indicações da
Dra. Rosemarie M. Johnson no artigo Tips from the Top: CSA
Bulle-tin July-August 1998 e também gentilmente cedidas pelo
Dr. James Riopelle, que há anos vem divulgando as vantagens
de seu uso (LSU Medical Center Anesthesiologists at New
Orleans' Charity and University Hospitals).
Como fazer seu próprio
“guia”:
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1)
Usar um rolo de material plástico empregado em
construção civil, como introdutor de fios de
eletricidade em conduítes (encontrado em lojas de
material elétrico ou de construção como “Passa-Fio”).
Escolher diâmetro de
aproximadamente 4-5mm. |
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3)
Dobrar umas das extremidades (2,5 a 3cm) em
aproximadamente 40º assumindo o formato de taco de
hóquei.
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Guia finalizado |
Guia no interior do tubo
traqueal |
4)
Para maior segurança marcas em centímetros podem ser
escritas com canetas especiais para escrever em plástico. |