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Doenças Mentais
1. – O que é Doença Mental?
Popularmente há uma tendência em se julgar a
sanidade da pessoa, de acordo com seu comportamento, de acordo com sua adequação
às conveniências sócio-culturais como, por exemplo, a obediência aos familiares,
o sucesso no sistema de produção, a postura sexual, etc.
Medicamente, entretanto, Doença Mental pode ser entendida como uma variação
mórbida do normal, variação esta capaz de produzir prejuízo na performance
global da pessoa (social, ocupacional, familiar e pessoal) e/ou das pessoas com
quem convive.Organização Mundial de Saúde diz que o estado de completo bem estar
físico, mental e social define o que é saúde, portanto, tal conceito
implica num critério de valores (valorativo), já que, lida com a idéia de
bem-estar e mal-estar.
2. – Como posso saber o que é e o que não é normal em psiquiatria?
Quem é louco ou quem é normal é um assunto que tem
estimulado discussões infindáveis. Muitas vezes as pessoas afirmam, num desabafo
e por razões pejorativas, que “fulano é louco”. Fazem isso não com intenção de
atribuir um diagnóstico, como fariam com outra doença, como por exemplo “fulano
é diabético”, mas com intenções francamente ofensivas.vezes, de acordo com
certas conveniências, as pessoas lançam mão da retórica cansativa sobre a
impossibilidade de rotular-se alguém de louco, uma vez que a definição do normal
é imprecisa. Mas isso é mentira.
Pelo critério estatístico, normal seria o mais freqüente, numericamente
definido, aquilo que é compatível com a maioria. Em medicina, de um modo
geral, ao se estabelecer a dosagem normal de glicose no sangue das pessoas,
verificou-se a média das dosagens num grupo de indivíduos tomando-a como padrão
de normalidade. Da mesma forma como se fez com tantos outros parâmetros
antropológicos de normalidades: pulsação, tensão arterial, correspondência
peso-altura, duração do ciclo menstrual, acuidade visual, etc.
Este critério estatístico tem um valor complementar e deve servir apenas como um
parâmetro de não-normalidade, mas não significa, obrigatoriamente, doença. O
termo DOENÇA, por sua vez, implica sempre em prejuízo e morbidade, portanto,
precisamos, depois de utilizarmos o critério estatístico, do chamado critério
valorativo.
A gravidez de gêmeos, por exemplo, embora não seja estatisticamente normal,
jamais poderá ser considerada doença porque lhe falta o critério valorativo.Pelo
critério valorativo podemos considerar que, em não havendo prejuízo ao
indivíduo, ao seus semelhantes e ao sistema sócio-cultural, toda tentativa de
destacar-se dos demais deverá ser sadia e desejável. Interessa, ao critério
valorativo, o VALOR que o sistema sócio-cultural atribui à maneira do indivíduo
existir. Mas podemos confundir este valor, o qual emana do sistema
sócio-cultural, como sendo uma pretensa e exclusiva atribuição tirânica de
fiscalização das normas, como sugere o discurso da antipsiquiatria, devemos
considerar o sistema sócio-cultural como alguma coisa muito abrangente; os
valores abrangem desde as concepções éticas, estéticas, morais, até as
concepções científicas e fisiológicas que este mesmo sistema reconhece como
válidos.
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Critérios de Diagnóstico
3. – As Doenças Mentais têm “cura” ou só podemos falar em controle?
As Doenças Mentais têm cura tanto quanto as
doenças da cardiologia, da endocrinologia, da reumatologia, da neurologia e
assim por diante. A medicina tem como primeira obrigação definir se a pessoa que
a procura É ou ESTÁ doente. Se estiver doente, a possibilidade de cura
definitiva é enormemente maior do que nos casos da pessoa ser doente.
Citamos outras especialidades médicas para que se compare os problemas da
psiquiatria com, por exemplo, a hipertensão arterial; quando, exatamente,
podemos falar em cura da hipertensão arterial? Quando, exatamente, podemos falar
em cura da diabetes?... do reumatismo?... da asma?...
, podemos ver que a medicina está cheia de situações onde, felizmente, podemos
controlar a pessoa portadora de alguma doença para que viva o mais próximo
possível do normal. Em outros casos podemos falar em cura, como por exemplo, na
pneumonia (e outras infecções), na cólica de rins, na diarréia... etc. São
situações onde a pessoa ESTÁ doente.
Doenças Mentais mais atreladas à maneira da pessoa ser, mais inerentes à sua
personalidade, podem ser muito bem controladas pela psiquiatria, enquanto as
situações reativas, onde a pessoa apresenta uma alteração repentina em seu
psiquismo, podemos falar mais facilmente em cura definitiva.
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4. – Quais as diferenças entre Neuroses e Psicoses?
A grosso modo, podemos dizer que Neuroses são
alterações quantitativas dos fenômenos psíquicos, capazes de produzir
sofrimento e/ou prejuízo na maneira da pessoa viver. Isso significa que os
neuróticos não apresentam nenhuma novidade ou nenhuma característica
psíquica que não exista nas pessoas normais em quantidades mais adequadas.
Ansiedade, angústia, sentimentos depressivos, idéias com tendência
obsessivas, teatralidade, medo, etc, são ocorrências psíquicas normais mas
nos neuróticos elas estariam exageradamente (quantitativamente) alteradas.
Por outro lado, podemos dizer que Psicoses são alterações qualitativas
dos fenômenos psíquicos, capazes de produzir sofrimento e/ou prejuízo na
maneira da pessoa existir. Nesse caso, as pessoas normais não costumam
apresentar os fenômenos psíquicos dos psicóticos, mesmo em quantidades
menores. Nenhum normal sente um pouquinho de perseguição, paranóia,
catatonia, confusão mental, delírios e alucinações primárias... etc.
5. – Quais as causas das Doenças Mentais?
Assim como as demais doenças, podemos dizer
que para se desenvolver uma Doença Mental há necessidade, no mínimo, de 2
fatores; a disposição pessoal para a doença e dos agentes ocasionais.
Disposição Pessoal Original
A
disposição pessoal do indivíduo diz respeito a seus Traços de
Personalidade, suas características constitucionais. Por constituição
devemos entender a configuração permanente do indivíduo, tal como seu
fenótipo, ou seja, uma somatória dos elementos genéticos com os elementos
acoplados à sua pessoa durante seu desenvolvimento. Fenótipo = Genótipo +
Ambiente.
A constituição vai além do genético, como se entende no exemplo de uma
pessoa nascida com malformações decorrentes da toxoplasmose congênita. Tais
manifestações, embora constitucionais, não podem ser consideradas genéticas,
não aparecem nos genes dos ancestrais mas, serão constitucionais.
A disposição
psíquica pessoal básica tem lugar nos momentos mais precoces da vida,
constituindo a marca característica e perene do relacionamento da pessoa com
o ambiente e consigo própria, constituindo a maneira do indivíduo contactar
e reagir ao mundo objectual. A este ser, dotado geneticamente de um conjunto
de Traços pessoais e de uma série de outras características psíquicas
adquiridas durante seu desenvolvimento precoce através da complacência de
seus genes, podemos atribuir uma certa Disposição Pessoal Originária,
a qual, favorecerá ou não, o desenvolvimento da Doença Mental.
Entram na Disposição Pessoal Original também, todos os perfis
constitucionais, tais como suas características metabólicas, endócrinas,
neurológicas, etc.
Agentes Ocasionais
Aqui
entram os fatores psicogênicos que a existência oferece para o indivíduo, ou
conforme diz o DSM-IV, tratam-se dos estressores psicossociais. Estes
agentes ocasionais são as vivências mais significativas que colocam em risco
a adaptação do indivíduo ao mundo e consigo próprio. São as ameaças ao
desequilíbrio de relacionamento da pessoa com sua existência, ameaças
capazes de comprometer a relação de ajustamento do sujeito com seu mundo
objectual.
O
fato de uma experiência ocasionar um conflito psicotraumático relaciona-se
com a Personalidade global, a qual, em virtude de suas peculiaridades pode
vir a ser perturbada por um determinado traumatismo psíquico. As vivências,
em si, não podem ser consideradas traumáticas de maneira absoluta, pois,
como sabemos hoje em dia, o conceito de trauma é relativo, dependendo mais
de certas sensibilidades constitucionais, do que das experiências vividas,
propriamente ditas. As vivências são mais traumáticas para determinados
indivíduos mais vulneráveis à superação de conflitos e são, nestes
indivíduos, os Agentes Ocasionais produtores das reações neuróticas.
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6. – Homossexualismo é Doença?
Atualmente o Homossexualismo é considerado
uma "alteração" da orientação sexual. Primeiramente, "alteração" não pode
ser considerado doença, como se faz, por exemplo com gravidez de gêmeos
(alteração do número de fetos sem ser doença). Em segundo, "da orientação"
significa se a pessoa está com sua sexualidade orientada para o sexo oposto
ou para o mesmo sexo.
Entretanto, o CID.10 (classificação internacional de doenças) recomenda
que se considere o homossexialismo como fator agravante de outras alterações
emocionais caso seja considerado Homossexialismo Ego Distônico, ou
seja, em distonia com o ego da pessoa, produzindo conflitos pessoais.
Caso seja considerado Homossexialismo Ego Sincrônico, ou seja, em
concordância com o ego da pessoa, tratar-se-a apenas de uma opção
comportamental. |
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